26.9.09

o caso é que, eu e o mundo todo, só fala de amor...

22.9.09

Mas ando e penso sempre com mais de um...

19.9.09

Tão, tão que não estou...

18.9.09

O esquecido.

Levou o braço a altura dos olhos. Olhou as horas. O relógio marcava sete e trinta e cinco. Deu um longo suspiro, o expediente enfim, tinha acabado. O suspiro de descanso logo deu lugar à pressa. Lembrou que não havia deixado dinheiro nenhum em casa; que já havia uma hora que Lívia chegara da escolinha e com toda certeza, cheia de fome. Ah! Doía o coração de Jonas deixar sua filhinha com fome. Essa correria, doía-lhe também o coração. Levantou atónito, colocou alguns papéis na gaveta esquerda da escrivaninha, salvou alguns documentos e em seguida, saiu apressado. Já em seu carro, colocou música pra tocar. Não aguentava mais o barulho pertinente de pessoas. Na verdade, o problema não era com pessoas e sim com as circustâncias que ele tinha que aturá-las...
Jonas era um homem simples, de muito bom gosto literário (tenho até receio de escreve-lo). E uma implicância com filas. Frustrado, tinha que trabalhar nelas o dia inteiro. Suponho até que é por isso o fato do barulho das pessoas o incomodar tanto. Jonas nunca ia à padaria, quem sempre ia era sua esposa, mas viajara até à cidade natal, pois, um primo ou uma tia, sei lá, algum parente se encontrava enfermo . Lívia, seu "amorzinho" (como ele a tratava), ficara. Na escolinha estava aprendendo assinar seu próprio nome. E Jonas ficou maravilhado de cuidar do seu "amorzinho" com minúcia. E ir à padaria comprar algo para combater a fome de sua filhinha era um ato heróico.
Lembrou-se de quando criança, queria ser padeiro. Achava a profissão mais importante do mundo todo. O padeiro, aquele homem, responsável pelo pão-nosso-de-cada-dia e a padaria, era para ele, o Paraíso. Quanto tempo não ia ao paraíso?! Entusiasmou-se com a lembrança, achou bonito a relação que fizera quando criança.
Chegando então ao Paraíso, despedaçou-se. Completamente. E despedaçado aproximou-se da bancada onde pediria o antídoto para a fome de Lívia. Resmungou enfim:
-Tsc Tsc! Fila para comprar pão!
O mundo é bastante flexível. E os paraísos também.

Eu também tô do lado de Jesus/só que acho que ele/se esqueceu/de dizer que na Terra/a gente tem/de arranjar um jeitinho/pra viver.
(G. Gil)

16.9.09

Hoje, quarta-feira, 16!

:
não sei o que acontece
quando as coisas se cansam
de descansar.

[mas, suponho...]

15.9.09

Hoje!

Guardei que:
o amor é uma confidência...
no entanto, o meu nunca foi segredo
Por isso mesmo, é amor o dessegredo.

Guardei que:
as coisas quando se cansam
ora essa,
precisam de descanso.

eu, perguntas.

Quem disse que não estamos suspensos no ar?

cantada...

Tão bonito isso de dizer:
"vem ser feliz comigo."
*
°~° Bonito também, é escutar...
●๋•

10.9.09

Esquanto escuto o ontem

Se eu pudesse sobrevoar
esse céu particular.
Debruçaria nessas nuvens
que não são macias.
(E quem disse que as
nuvens são macias?)

Ah, se eu pudesse ser
esse sol feito de madeira,
cheirando a naylon, poesia
e o suor que vem dos teus dedos.

Se eu pudesse ser o riso solto,
o passo curto,
o doce, o mar...

Seria, se eu pudesse.
Também, eu seria o Nada
pra não querer ser nada disso.
Porque nunca vou ser nada disso.
Por que não fizeram de mim
nada disso?

Eu me fiz Nostalgia,
misturei com o Imprevisível
E resultou em Não-Sei-O-Quê.
Me fiz Distância, eu me fiz...
Desejo.

31.8.09

Toda mulher é meio Clarice Lispector...
Ou é Clarice Lispector que têm muitas mulheres?!

25.8.09

Desamarre-se quem puder.

A corda, o medo;
acorda a cor da corda;
a corda com medo de ser corda.

24.8.09

Já inventaram
um nome menos pesado
para o cansaço?

[intinerário]

e tem flores beijando pássaros:
vi o beija-flor parado.


sorriso até nos fios de alta tensão...

20.8.09

A.manhã!

Sonhei que você me embriagava,
beijava minha boca,
meu olhos.
Respirava nos meus cabelos,
sorria docemente...
E eu, ingrata
fui embora
sem dar-te beijo de despedida.

Era uma ilusão a menos que me acordava...

18.8.09

Os dias ouviram eu dizer:
eu te conto o que sei de mim
e você me conta
o que você sabe de você...

E docemente, concluiu:
-isso é amor.

16.8.09

Dejeme inventar

Inventei um rio pro meu quintal,
pr'eu ser bonita.
E quando o rio passar,
eu invento o mar...
E não vai existir
Marias, Claras, Karinas, Anarinas
mineiras, forasteitas, verde céu
que caiba no fundo de minha casa...
O mar fica
a onda vai
e vem
e eu
bonita.

Alguém lá é feio com o rio no quintal?
ah, mar!




15.8.09

Rio do Não Parar

A tristeza pára.
Por isso,
sorrio enquanto caminho.

13.8.09

Conversa fiada II

-Eu te amo
-Por que mentes?
-Eu não minto.
-Não me faça crer em poesia, menino.

11.8.09

Amigo que vai embora

A vida (ou o amor, ou
seja lá o que for)
é feito lagarta:
quando se transforma,
ganha asas.

8.8.09

Suposto amor.

Não me diz nada
faz uma cara de merda
e eu entendo tudo.

2.8.09

Conversa fiada

Pendura este beijo na conta,
amanhã pago com outro.

31.7.09

Pulseira.

Devo ter a tristeza dos mendigos que têm fome;
De
vo carregar a sina de um louco incompreendido;
Devo possuir a loucura dos gênios insaciáveis;
Devo ter a rabugice de um velho inconformado;
Devo ter a velhice dos pensamentos inesquecíveis.


p.s.: Quando eu tinha treze anos era presunçosa...

28.7.09

Descanso.

De repente, senti um ar confortável
e puro.
De onde ele vem?
De repente, descobri:
estava respirando só por uma narina.
A outra, descansava.

p.s.: é preciso descansar.

24.7.09

do gosto da chuva

O moço:
Tem a chuva, tem a chuva.
Que tem gotas tão lindas
que até dá vontade de comê-las.
(Jorge Mautner / Nelson Jacobinna)

A moça:
Eu tento comer suas gotas.
Mas já que tudo que é bom, é efêmero, o gostinho se desfaz...
Mas já que tudo que é bom, é realmente efêmero
o gosto de lembrar é persistente.
E é aí, que eu me contento.
(ao menos com a chuva).


p.s.: recadinhos-poemas-coisinhas que surgem na minha página de recados.
p.p.s.: aí, sou eu e Raoni, coração de Saci.

22.7.09

Esclarecimento:

A vida tentou suicídio
Daí, o porquê de tanta dor.

Minha parede mandou dizer assim:

...
Tenho luzes para acender
na hora do escuro
Tenho antídotos para
as muitas feridas
E tenho facas para ferir
cada amor doído.

(Fabrícia Miranda)