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25.8.11

Os desvãos me constam.



13.5.11

a nossa legítima casca canceriana



Minha mão voltou pro braço, o braço pro ombro, o ombro pro tronco, entrei no casulo. Envergada feito plástico queimando, eu implodindo. Pulando em um buraco infinito, num poço sem fundo (em se tratando de física, um buraco negro, a morte de uma estrela.) Virei de costas pra você com minhas mãos estrelaçadas (pra te proteger).

(...)



ayume oliveira

8.5.11

Crueldade também é amor...
Desde que tenham princípios, meios e fins recíprocos!




leonardo martinelli

31.10.10

Preparativos para a viagem

Uns vão de guarda-chuva e galochas,
outros arrastam um baú de guardados...
Inúteis precauções!
Mas,
se levares apenas a visões deste lado,
nada te será confiscado:
todo o mundo respeita os sonhos de um ceguinho
-a sua única felicidade!
E os próprios Anjos, esses que fitam a face do Senhor...
os próprios Anjos te invejarão.

m. quintana

14.8.10

(injeção de ânimo)

Alô, liberdade
levante, lava o rosto
Fica em pé
Como é, liberdade ...
Vou ter que requentar
O teu café

15.6.10

Kitan Végas

Fatalidade
acontece
sem pensar.

...


(...e eu
acho
que
amor também)

Por não estarem distraídos

Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria e peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos!

Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.

Clarice Lispector.

26.5.10

Velho, tô puta.

Visitácion

issodequererentenderaprofundidadealheia
hádenoslevaraooutroextremodosejacoração.
Mas como escapar de sentir o peso
ou a leveza
de cada palavra ao vão?

A palavra não se satisfaz, nem a mão...


p.v
redenção é um gozo surdo e mudo.

14.5.10

duro.

Requiem para uma flor °


Fruto do mundo
Somos os homens
Pequenos girassois
Dos que mostram a cara
E enorme as montanhas
Que não dizem nada

Incapaces los hombres
Que hablam de todo
Y sufrem callados

r. seixas

19.4.10

por que você não esperava
mas eu te esperei
e a gente se desesperou


(Karina Buhr)

11.2.10

Parâmetro

Deus é mais belo que eu.
E não é jovem.
Isto sim, é consolo.

(Adélia Prado)

21.1.10


"Então eu te disse que o que doíam essas esperas, esses chamados que não vinham e quando vinham sempre e nunca traziam nem a palavra e às vezes nem a pessoa exata. E que eu me recriminava por estar sempre esperando que nada fosse como eu esperava, ainda que soubesse."
(Caio F.)