31.8.09

Toda mulher é meio Clarice Lispector...
Ou é Clarice Lispector que têm muitas mulheres?!

25.8.09

Desamarre-se quem puder.

A corda, o medo;
acorda a cor da corda;
a corda com medo de ser corda.

24.8.09

Já inventaram
um nome menos pesado
para o cansaço?

[intinerário]

e tem flores beijando pássaros:
vi o beija-flor parado.


sorriso até nos fios de alta tensão...

20.8.09

A.manhã!

Sonhei que você me embriagava,
beijava minha boca,
meu olhos.
Respirava nos meus cabelos,
sorria docemente...
E eu, ingrata
fui embora
sem dar-te beijo de despedida.

Era uma ilusão a menos que me acordava...

18.8.09

Os dias ouviram eu dizer:
eu te conto o que sei de mim
e você me conta
o que você sabe de você...

E docemente, concluiu:
-isso é amor.

16.8.09

Dejeme inventar

Inventei um rio pro meu quintal,
pr'eu ser bonita.
E quando o rio passar,
eu invento o mar...
E não vai existir
Marias, Claras, Karinas, Anarinas
mineiras, forasteitas, verde céu
que caiba no fundo de minha casa...
O mar fica
a onda vai
e vem
e eu
bonita.

Alguém lá é feio com o rio no quintal?
ah, mar!




15.8.09

Rio do Não Parar

A tristeza pára.
Por isso,
sorrio enquanto caminho.

13.8.09

Conversa fiada II

-Eu te amo
-Por que mentes?
-Eu não minto.
-Não me faça crer em poesia, menino.

11.8.09

Amigo que vai embora

A vida (ou o amor, ou
seja lá o que for)
é feito lagarta:
quando se transforma,
ganha asas.

8.8.09

Suposto amor.

Não me diz nada
faz uma cara de merda
e eu entendo tudo.

2.8.09

Conversa fiada

Pendura este beijo na conta,
amanhã pago com outro.

31.7.09

Pulseira.

Devo ter a tristeza dos mendigos que têm fome;
De
vo carregar a sina de um louco incompreendido;
Devo possuir a loucura dos gênios insaciáveis;
Devo ter a rabugice de um velho inconformado;
Devo ter a velhice dos pensamentos inesquecíveis.


p.s.: Quando eu tinha treze anos era presunçosa...

28.7.09

Descanso.

De repente, senti um ar confortável
e puro.
De onde ele vem?
De repente, descobri:
estava respirando só por uma narina.
A outra, descansava.

p.s.: é preciso descansar.

24.7.09

do gosto da chuva

O moço:
Tem a chuva, tem a chuva.
Que tem gotas tão lindas
que até dá vontade de comê-las.
(Jorge Mautner / Nelson Jacobinna)

A moça:
Eu tento comer suas gotas.
Mas já que tudo que é bom, é efêmero, o gostinho se desfaz...
Mas já que tudo que é bom, é realmente efêmero
o gosto de lembrar é persistente.
E é aí, que eu me contento.
(ao menos com a chuva).


p.s.: recadinhos-poemas-coisinhas que surgem na minha página de recados.
p.p.s.: aí, sou eu e Raoni, coração de Saci.

22.7.09

Esclarecimento:

A vida tentou suicídio
Daí, o porquê de tanta dor.

Minha parede mandou dizer assim:

...
Tenho luzes para acender
na hora do escuro
Tenho antídotos para
as muitas feridas
E tenho facas para ferir
cada amor doído.

(Fabrícia Miranda)