22.6.14

tão bom olhar para as coisas íntimas e sabê-las desgastadas;
é tão bonito olhar a inutilidade ou a utilidade imaterial 
das coisas desgastadas: 
a vida vivida contida nelas, 
as oportunidades em que puderam ser úteis, 
o jeito desbotado 
e carinhoso como acordam as lembranças. 
Mas o bom mesmo das coisas desgastadas é 
a capacidade de nos fazer ter olhos respirados para as novidades, 
e saber que essas são frutos bem colhidos daquelas
coisas desgastadas...


Vitória da Conquista, 18 de junho de 2014

18.6.14

6.3.14

livre ins.piração

a água transbordando
e a gente transbordando
junto(s).

verões glaciais


[pequenas catarses]

corpo encontro via
corpo em crucis
corpo sopro de vida
vida de viver nos mortos
clarice morta e tão viva

minha mãe morta e eu
aprendendo a viver
bem-querer
beijar flor
bem te ver
bem viver o mundo

vida-morte-vida
a gente
nasce
morre
renasce
macro-e-microeternamente.

vírgulas sem vontade

(mas fiquem à vontade para por as vírgulas)...


procurando a gente encontra coisa que nem tava procurando
procurando tava nem que coisa encontra gente a procurando
procurando tava que nem coisa encontra a gente procurando
procurando coisa a que encontra gente nem tava procurando


5.3.14

"guardar uma coisa não é esconde-la ou tranca-la"


é como recarregar-se de você, isso fica, fica em mim, você fica, e eu fico, em você, é como misturar as tintas, um dia vamos nos abraçar por tanto tempo, que vamos entrar um no outro, que vamos ser como uma árvore, meio euvira, meio gabriela, meio poeta gripado, e um penacho saindo na ponta, aí alguém vai riscar nela, a árvore, quero ser triste, e a gente vai se rir de lá de dentro, aí algum dia vão arrancar a árvore, e fazer dela palcodeatriz e violoncelo, e a gente vai se esvair pelas folhinhas, mentira, numa folhinha só é melhor, numa folhinha só, escorregando no vento, e pousaremos amplos, bestas, vadios, como coisa, no quintal de Manuel de Barros...
liamo




from Massumi
for me.

novembro, 2013
Essa alegria de ter um corpo, eu não tenho, não. Paixão é que despudora a gente, assim é que é ser alegre com o corpo: com paixão. Porque só se é feliz dando. Dar(-se) de qualquer coisa.
Eu beijei o melhor poema.

[Escrito-diário de 2010, achado perdido entre outros mil papéis. Eu, aos 17ou16, corpomentepassional e auto-desconhecido, um perigo perigoso, e gostoso.]


o terceiro olho
o olho do coração
o coração nos olhos
um novo orgão: o coraçãolho


artista desconhecido

27.2.14


















carnaval:

sobreposição de máscaras.

[das confissões astro(sem)lógicas - vênus em áries]

meu flerte é uma flecha.


23.2.14

[superfície]

pele pelo

pele pelos pelos

pele sobre pele

pelo roçando pelo
que hoje eu me encontro num silencioso jeito...

http://www.youtube.com/watch?v=9NEd3zUzEyU

20.2.14

[das ciclistas iluminações]

o fim dos tempos e a nova era coexistem: duelo saudável
não acaba um e começa outro
o velho molda o novo
e o novo desconstrói o velho
a vida mata a morte
e já renasce morrendo
- big bang, explosão.



as pessoas falam do fim...
e o fim é infinito
o início é infinito

galileu já descobriu: o mundo é círculo

começar é sempre
terminar é sempre
- repetição divina.



fevereiro, 2014

verão


[bagunça burocrática]

carnê   do   óbito vovó

IPTU

17.2.14

menino-amor.
ciência-exata.
vontade de continuar vivendo.
alegria saudável.
gratidão infinita.
olhos nas mãos e
tato no olhar.
limpeza
e maciez de fruta.
enorme
coluna vertebral
que é base

para toda estrutura humana.
um dia veremos
um dia aprenderemos.



há sempre coisas novas.

ass. frida kahlo






10.2.14

autolar

9.2.14

7.2.14

[autoanálise atualizada]

um pouco mais moça
uma qualidade mais antiga 
de moça

menos fruta
mais lua

menos fada
mais bruxa

menos dona
mais rainha

de si.

a vida há
de me fazer 
nascer
uma mulher mais moça
uma moça mais senhora
uma senhora mas
menina.
todo-dia.


viernes, primavera, 2013.

6.2.14

AVISO

tome termo!
vista terno!

[das confissões astro(sem)lógicas - vênus em áries]

porque não sou feliz enquanto espero, sou feliz arriscando, perdida no meio do escuro, tateando para encontrar a luz.
descobri: eu gosto mesmo é de um abismo.
no abismo a gente voa.


27.11.13

FEICIBUQUI

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daniela lisboa

4.2.14

resistência

eu afirmo
o que você
nêga.
a verdade é que tenho um medo de amar devassador. confesso porque acredito que toda confissão é uma espécie de espelho, porque ao se ver num espelho acontece o reconhecimento, a percepção, mesmo que lenta, de si mesmo. o externo que desperta o interior. a confissão não crucifixa, antes liberta. é meio caminho andado à resolução: a coisa/sentimento torna-se mais conhecido, já é possível buscar suas raízes, sua profundeza, a origem, pistas para encontrar a iluminação, o desatar! então eu confesso: tenho medo de amar. agora confesso que não sei o que fazer dessa confissão. a verdade é que sou econômica nos meus atos e exagerada na imaginação. e ser exagerada na imaginação desacerta meus atos, não tenho equilíbrio. faço tudo errado. parece errado. ou apressado. ou tardio. nunca no tempo certo, descompassada. tenho vontade de dizer isso pro ser amado: tenho medo de te amar. não tenho medo de amar os amigos, os bichos. mas tenho medo de te amar. tenho medo de ser rejeitada, embora eu não creia que há rejeição nas relações, há vida que segue, roda da fortuna, amor que acaba ou nem começa. tenho medo de ser ridícula, de ser poeta, piegas, ser o que eu sou. que horror, quando estou apaixonada tenho medo de ser quem eu sou. isso é grave. é péssimo, gente. e eu gosto de mim, tenho gostado cada dia mais. talvez eu precise de tempo e ficar só e ver se gosto da minha companhia estranha, avoada e boba que acha bonito uma rachadura na parede. dói tanto confessar tenho medo de amar. com toda certeza isso não é escolha, eu não escolhi temer o amor e seus infortúnios. deve ser um processo histórico, deus queira, mais antigo que eu, nasceu da época em que as mulheres talvez nem tinham a oportunidade de conhecer o amor, pois não tinham o poder de escolher seus amados amantes. não tinham a oportunidade de desacertar e consertar e tentar de novo e descasar e piriguetar até encontrar dentro de si os calos de amar e desamar sem medo.
educação sentimental envolve tentativas, risco! preciso enfiar isso na minha cabeça de uma vez por todas: no desconhecido é que mora a graça. não tema o desconhecido, daniela, não tema. porque amor, gente, sentimento, emoção, climatempo, os fins e os começos, a vida, tudo isso é novidade. não queira saber de nada, não queira adivinhar o outro, só queira...



primavera/dezembro, 2013

3.2.14

2 do 2

amor e força, Yemanjá;
paixões alegres, Senhora-Mãe-Rainha da Imensidão;
me faça infinita e inesperada como é sua casa:
de superfície revolta e profundeza calma.
me faça mar, que faço amor.

agradeço o encontro com a correnteza, mas
cuide das minhas águas
serenai meus medos
revire minhas certezas
dai-me à luz.

Odó Iyà





15.1.14

[teu convite]

úmida, ataco-te
voraz, devora-me
mansa, amo-te

chupa, curva-se

penetre que eu balanço

 entre, aprofunda-me

mordida, abocanho-te


aceito e faço
amor contigo
sem olhar

para trás.




inverno, 2013
mês regido pelo arcano xv.

Diário de bardo - Vale do Capão - Chapada Diamantina - Bahia,



então gente, eu tava lá no capão, fui parar lá com uma alma de trapezista, sem rede de proteção, sozinha. mas a verdade é que "o solitário não quer solidão", encontrei uma uma penca de seres lindos e fui feliz.
no capão a gente se olha pouco no espelho, a gente se vê de dentro, tudo é bonito por dentro e cai pra fora, sem muita vaidade, com muita cor; os planos são poucos porque o fluxo é maior; o tempo... o tempo? qual tempo? uma vez perguntei que horas eram e um homem pediu pra eu olhar no relógio, quando olhei, o relógio só tinha o ponteiro vermelho, o que conta os segundos, era o relógio do aqui e agora, ele me disse.
eu nunca estou atrasada no capão. o tempo se acerta comigo, com meu passo, com minha lerdeza. o tempo lá não é rabugento, eterno: é terno!
o amor não é pouco, não é cálculo, não é selecionado; as camas são largas, os corações são vastos; no corpo não há medo, nem mistério; há mistério na noite, mágica no céu, luzes de vaga-lumes e estrelas.
tudo, e todos, está aberto. des.coberto. des.cobrindo. amanhecendo todo dia.
a rua é palco. a comida é farta. o riso é frouxo. a pizza é saudável. a água da torneira é potável. dinheiro é papel. o rio é o melhor chuveiro. viver é simples e a gente é livre.
daqui uns dias eu volto a ficar infectada de valores tolos, vaidades, pre-ocupações, pressa, eu sei disso, mas é bom saber, lembrar, experimentar o cultivo das asas, da graça, leveza, da abundância que não é desperdício. a fé a fé paixão e fé faca amolada. caminhada.

à rainha de paus que rege os inícios, os caminhos, a coragem, os amores, o (im)pulso, o fogo, o ano novo.
gratidão a tudo e a todos que cruzaram o meu caminho até aqui, hoje, agora. sou feita desses encontros. há um pouco de muita gente no que eu sou.

p.s.: acredito em telepatia, oração, macumba, energia, pensamento. todo meu agradecimento chegará com muito amor em vossos corações, aos amigos e aos inimigos (que nem sei quem são).



Vitória da Conquista, Janeiro de 2013.

20.12.13

Queixa (da primavera passada, 2012)

faz dias que os dias não são lá grandes dias,
logo,
faz dias que não sou grande coisa.

não faço doce,
não faço dia,

fico no lamento dos dias que não são lá grandes coisas.

eu crio chuva dentro do guarda-chuva,
tempestade nos olhos d'água,
enxergo cinza onde é azul.

preciso é me refazer
e fazer
amor.

... e parar de inventar tristeza.





Enquete:

Em qual mentira você acredita?
todo desiludido é realista

e não há mal nenhum na realidade.

nós é que inventamos o mal

nos iludindo.




primeiro dia do verão
e a chuva cai
pra lembrar
que nada é
uma coisa só
no mundo.

pois no inverno
fez sol.

17.12.13

[palavras, porque não sei desenhar]

mora nos braços da moça
um ninho
que nina
los ñinos.

ato-retrato VI




16.12.13

pra quê os títulos
se a gente é
a mesma bosta
sem os títulos?

inverno, 2012

14.12.13

das descobertas sem rima

mistério não acaba no corpo
na primeira noite de sexo
nem na última de amor

o mistério de um ser é infinito
e mistério não é jogo
é natureza

conquistar um corpo
não é desvendar um coração:
que é um corpo inteiro.

primavera, 2013