15.1.14

[teu convite]

úmida, ataco-te
voraz, devora-me
mansa, amo-te

chupa, curva-se

penetre que eu balanço

 entre, aprofunda-me

mordida, abocanho-te


aceito e faço
amor contigo
sem olhar

para trás.




inverno, 2013
mês regido pelo arcano xv.

Diário de bardo - Vale do Capão - Chapada Diamantina - Bahia,



então gente, eu tava lá no capão, fui parar lá com uma alma de trapezista, sem rede de proteção, sozinha. mas a verdade é que "o solitário não quer solidão", encontrei uma uma penca de seres lindos e fui feliz.
no capão a gente se olha pouco no espelho, a gente se vê de dentro, tudo é bonito por dentro e cai pra fora, sem muita vaidade, com muita cor; os planos são poucos porque o fluxo é maior; o tempo... o tempo? qual tempo? uma vez perguntei que horas eram e um homem pediu pra eu olhar no relógio, quando olhei, o relógio só tinha o ponteiro vermelho, o que conta os segundos, era o relógio do aqui e agora, ele me disse.
eu nunca estou atrasada no capão. o tempo se acerta comigo, com meu passo, com minha lerdeza. o tempo lá não é rabugento, eterno: é terno!
o amor não é pouco, não é cálculo, não é selecionado; as camas são largas, os corações são vastos; no corpo não há medo, nem mistério; há mistério na noite, mágica no céu, luzes de vaga-lumes e estrelas.
tudo, e todos, está aberto. des.coberto. des.cobrindo. amanhecendo todo dia.
a rua é palco. a comida é farta. o riso é frouxo. a pizza é saudável. a água da torneira é potável. dinheiro é papel. o rio é o melhor chuveiro. viver é simples e a gente é livre.
daqui uns dias eu volto a ficar infectada de valores tolos, vaidades, pre-ocupações, pressa, eu sei disso, mas é bom saber, lembrar, experimentar o cultivo das asas, da graça, leveza, da abundância que não é desperdício. a fé a fé paixão e fé faca amolada. caminhada.

à rainha de paus que rege os inícios, os caminhos, a coragem, os amores, o (im)pulso, o fogo, o ano novo.
gratidão a tudo e a todos que cruzaram o meu caminho até aqui, hoje, agora. sou feita desses encontros. há um pouco de muita gente no que eu sou.

p.s.: acredito em telepatia, oração, macumba, energia, pensamento. todo meu agradecimento chegará com muito amor em vossos corações, aos amigos e aos inimigos (que nem sei quem são).



Vitória da Conquista, Janeiro de 2013.

20.12.13

Queixa (da primavera passada, 2012)

faz dias que os dias não são lá grandes dias,
logo,
faz dias que não sou grande coisa.

não faço doce,
não faço dia,

fico no lamento dos dias que não são lá grandes coisas.

eu crio chuva dentro do guarda-chuva,
tempestade nos olhos d'água,
enxergo cinza onde é azul.

preciso é me refazer
e fazer
amor.

... e parar de inventar tristeza.





Enquete:

Em qual mentira você acredita?
todo desiludido é realista

e não há mal nenhum na realidade.

nós é que inventamos o mal

nos iludindo.




primeiro dia do verão
e a chuva cai
pra lembrar
que nada é
uma coisa só
no mundo.

pois no inverno
fez sol.

17.12.13

[palavras, porque não sei desenhar]

mora nos braços da moça
um ninho
que nina
los ñinos.

ato-retrato VI




16.12.13

pra quê os títulos
se a gente é
a mesma bosta
sem os títulos?

inverno, 2012

14.12.13

das descobertas sem rima

mistério não acaba no corpo
na primeira noite de sexo
nem na última de amor

o mistério de um ser é infinito
e mistério não é jogo
é natureza

conquistar um corpo
não é desvendar um coração:
que é um corpo inteiro.

primavera, 2013


30.11.13

e quem inventou o nu
inventou o paraíso
o homem a mulher,
inventou divindades
como andar descalço
e subir em árvores.
inventou o nascer
o princípio e o precipício.
inventou as asas os anjos as revoadas...


inverno, 2013
eu não me declaro nada
não nada de coisa alguma
sou a própria declaração
adentro o mundo
r i o
de tudo
indefino, infinito, vivo
abraço

29/10/11
nesse tempo
nenhum coração se assanha
só o meu assanha.
lá fora é frio, mas
aqui dentro ...


houve um tempo
que aqui dentro
indeciso,
feito dia nublado,
escondia um sol
atrás das roupas...
meu coração vestia, mas
queria se rasgar

agora
meu coração é
tempo
é
hoje.


inverno 2012

27.11.13

que eu passe a vida inteira
transformando lágrima em chuva, grito em dança
porque se não o coração não aguenta.
não me mate com cuidados
me preserve com verdades
não me afague
não se cale
grite
carimbe seu pé na minha bunda
não tenha piedade
mas não me maltrate calado
não encontre o melhor jeito
para dizer não
diga simplesmente: não
um não seco
porque se vier florido
eu não entendo
aceite meu risco
ria comigo
sejamos claros
sejamos dia
não tenha medo
eu não mordo
só morro
mas avanço viva
com amor de lua
segurança de vênus
fogo marciano
ares de gêmeos
não tenha piedade
eu sei perder
eu compreendo o efêmero
e aprendo
só não me mate
com um silencioso não.



Pensei que tô tão alegre que posso até ficar triste sem me entristecer...

[paixão, esse desassossego]

É bem verdade que ando apaixonada e paixão é foda, dá esse desamparo, esse não-saber. tenho me conectado com a minha intuição através dos sonhos, aí pedi pra sonhar o que fazer.
então sonhei que estava dentro de um carro e alguém falou, cuidado com o acelerador se não você cai no poço. Aí o carro começou a andar sozinho e caiu no poço. Fiquei apavorada, mas quando caí, descobri que o poço nem era tão fundo, e nem era um poço, era um riacho. E eu saí sorrindo do carro e fui parar numa estrada de terra, com muito verde nas margens. Terminei o sonho sorrindo.

a verdade é que paixão rouba minha intuição.
aí hoje encontrei esse escrito/verdade de dona hilda:

ah, eu só entendo de paixão, e paixão é intraduzível
indescritível, você quer dizer também. paixão é aquele lago que dá medo, lembra? o lago Averno
sei. a entrada do Inferno. Aquele
entrei nele uma vez. Fiquei gigantesco e rubro. cresci
e quem era? ele ou ela?
ela. estupenda, esguia, mãos pequeninas, roías as unhas
estranho
por quê?
não parece passional
você é mesmo idiota. paixão é isso. é não saber porque

26.11.13

Ao céu que não nos protege,
que continue
não nos
protegendo.

amém.

[oração para o acaso]

*depois de Bertolucci no olhos e no coração.
alma mala lama

[resumo]
re-sentir é não sentir inteiro.


há tempo só para o próprio tempo,
pro resto

travessia.

15.11.13

.

Para cada ser que nasce,
nasce um caminho.


.

Quase uma reza.

Consciência Cósmica
( J. Guimarães Rosa)

Já não preciso de rir.
Os dedos longos do medo
largaram minha fronte.
E as vagas do sofrimento me arrastaram
para o centro do remoinho da grande força,
que agora flui, feroz, dentro e fora de mim...

Já não tenho medo de escalar os cimos
onde o ar limpo e fino pesa para fora,
e nem deixar escorrer a força dos meus músculos,
e deitar-me na lama, o pensamento opiado...

Deixo que o inevitável dance, ao meu redor,
a dança das espadas de todos os momentos.
e deveria rir, se me retasse o riso,
das tormentas que poupam as furnas da minha alma,
dos desastres que erraram o alvo do meu corpo...

- em 'Magma'.

hai k - i

C r i se
tira o se e põe ar,
C r i ar.

5.11.13

Asas:


uma mistura
de leveza
e força.

Primavera, 2013

Sou um conjunto de superfícies,
sou uma
p
r
o
f
u
n
d
e
z
a
.

30.10.13

Para provar que nem toda primavera é solar

1.
nada que esmaga. 
insônia de dar sono. 
nem um amor
nem um poema. 
resta adiar... 
querendo arder...

2.
vomitar vulcões.
morder o mundo.
sangue na retina - furar o olho. 
infernos e afins.
espanca-me, calmaria. 
do chão se faz morada.
(acho que quero cair de bicicleta de novo: 
chacoalhar ângulos, pele, qualquer coisa)


Primavera, 2011


Anúncio

Procura-se
amores e carinhos.
Dispensa-se as ataduras.
Renuncia-se as nomenclaturas.
Aceitamos sussurros, mordidas e outas cositas.



Inverno, 2013.

Lá em casa

vinte e oito de agosto de dois mil e treze.

Iara - Tia Au e eu:

disse pra eu não pôr foto minha pelada na internet, está escrito na bíblia que nosso corpo, de mulher, é um segredo. mas eu sou artista, Tia Au. artista? artista sofre, você vai é sofrer. eu sei, eu já sofro. pois é...
(e em seguida fez de mim uma fotografia, eu nua e abstrata).
eu
fotografei
ela
e ela
me
fotografou.






Inverno, 2013

Primavera, 2013

Foi preciso ver o mar para concluir: a vida é maior.


Primavera, 2013

passado tempo eremita
chegado tempo solar
estação de renascer
de flor e crescimento
vontade de a cor dar
cedo
amar cedo
de dar
vontade de olhar e ver gente
comer gente beijar-flor gente
dividir cama orgasmo conversa
gente
gente, eu estou toda primavera
um bicho, um bichinho
ao léu, ao ar
livre.


Da memória

Meu 
corpo:
álbum de família.

14.10.13

aprendiz de atriz

voltei morta e renascida,
de cicatrizes
e asas novas.

disposta ao abismo, ao rasgo, sem perder a alegria.
pronta para voo.

primavera, 2013

amadurecer é deixar
a
asa
crescer.

7.9.13

ato retrato III, ou Oração ao Corpo


o corpo me parece novo:

infinito que nem o mistério
palpável feito comida




5.9.13

Dona Hilda querida in Trajetória Poética Do Ser, Iniciação de Poeta

O ouro do mais fundo está em ti.
Em mim, as coisas breves tomam corpo
E uma saga de bronze no meu ombro
A cada dia se transforma em chaga.
Um sol que se contraí sobre o meu rosto.
Aves de que não sei a sombra, vi-as
Na manhã quando o amor era chama
Mas num sopro perdi-as
E é grande agonia o que era gozo.
Guia-me complacência. Que o instante
Não se afaste de mim, antes padeça
Desse meu existir e eu não me perca.

2.9.13

night vupt

Hoje vi nascer uma festa
.
.. que morreu.