Faz tempo e
abriguei em mim
mais um alguém,
esse ou essa
(que vergonha,
ainda não descobri),
que só sei
que só acredita,
sem teimar,
no que
as canções dizem.
E as canções dizem tantas coisas...
5.7.10
all my tomorrow
"
We're drifting
and the laughs are few
But I've got rainbows
planned for tomorrow
"
**Estamos à deriva
e os risos são poucos
Mas eu, arco-íris
tem previsão para amanhã
We're drifting
and the laughs are few
But I've got rainbows
planned for tomorrow
"
**Estamos à deriva
e os risos são poucos
Mas eu, arco-íris
tem previsão para amanhã
21.6.10
(algum tipo de revolta)
Ter que lembrar
(memória,
coração,
história)
me faz chorar.
É melhor pensar
(e viver, e simular abismos, amores,
e iludir, e iludir, iludir, iludida,
dissolvida, diluida,
insípida),
é melhor andar no presente,
e não
ter
que
chorar
escondido,
já que lágrima
é água
- incolor -
r.
inodora.
da proteção.
(ou da roupa)
-ai, como pesa...
... a flor
que
faço de armadura
e que logo
pesa.
O redemoinho,
o pirulito, a bolsa,
os butões,
o copo de plástico vazio
que é rasgado
pelo desconcerto,
então é preciso
pegar outro
cheio
e levar à boca,
esvaziar aos poucos,
porque se não,
não tem dinheiro que dê.
Provocações são armaduras.
-ai, como pesa...
suspirar, dizer, pensar, escrever
pesa.
Pesado.
1. aquilo com excesso de ornamentos.
2. muro, anel de casamento, sapato alto, vestido recatado, árvore caída, meu peito inchado, medo, quem não ama e é amado, quem ama e não é amado, mochila cheia, vento rápido; flor)
Nota:
-A flor só é pesada, quando usada de armadura.
arma dura, amar dura.
...
-ai, como pesa...
... a flor
que
faço de armadura
e que logo
pesa.
O redemoinho,
o pirulito, a bolsa,
os butões,
o copo de plástico vazio
que é rasgado
pelo desconcerto,
então é preciso
pegar outro
cheio
e levar à boca,
esvaziar aos poucos,
porque se não,
não tem dinheiro que dê.
Provocações são armaduras.
-ai, como pesa...
suspirar, dizer, pensar, escrever
pesa.
Pesado.
1. aquilo com excesso de ornamentos.
2. muro, anel de casamento, sapato alto, vestido recatado, árvore caída, meu peito inchado, medo, quem não ama e é amado, quem ama e não é amado, mochila cheia, vento rápido; flor)
Nota:
-A flor só é pesada, quando usada de armadura.
arma dura, amar dura.
...
15.6.10
Hilda.
Que canto há de cantar o que perdura?
A sombra, o sonho, o labirinto, o caos
A vertigem de ser, a asa, o grito.
Que mitos, meu amor, entre os lençóis:
O que tu pensas gozo é tão finito
E o que pensas amor é muito mais.
Diário de Copa do Mundo
Aproveitei as horinhas desse feriado, dividido em primeiro e segundo tempo, pra caminhar nas ruas que estavam vaziiiiiiiiias, boa pra conversar sozinha. Por um segundo cheguei a desvairar, ingrata, que até as nuvens correram pra frente de alguma TV. Só tinha o céu azuuuul e dei graças por ele não ser patriota. Os botecos feito formigueiros surtados-verde-amarelo, e as ruas todas largas, todas minhas.
-GoOoOoooOOollll!
BooM, trAck, Biiiii, ZuuUm!
(arrasam
com o meu silêncio
os loucos...)
-GoOoOoooOOollll!
BooM, trAck, Biiiii, ZuuUm!
(arrasam
com o meu silêncio
os loucos...)
Por não estarem distraídos
Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria e peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos!
Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.
Clarice Lispector.
Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.
Clarice Lispector.
14.6.10
porque atraso
ainda não sei a ordem alfabética
das letras,
nem
dos
ponteiros.
organizo
pelo
tropeço:
eu perco tempo.
26.5.10
Visitácion
issodequererentenderaprofundidadealheia
hádenoslevaraooutroextremodosejacoração.
Mas como escapar de sentir o peso
ou a leveza
de cada palavra ao vão?
A palavra não se satisfaz, nem a mão...
p.v
hádenoslevaraooutroextremodosejacoração.
Mas como escapar de sentir o peso
ou a leveza
de cada palavra ao vão?
A palavra não se satisfaz, nem a mão...
p.v
21.5.10
Dia de inevitáveis retrocessos
Dia de inevitáveis retrocessos
Dia de inevitáveis retrocessos
Dia de inevitáveis retrocessos
Dia de inevitáveis retrocessos
dia de inevitáveis retrocessos
Dia de inevitáveis retrocessos
Dia de inevitáveis retrocessos
Dia de inevitáveis retrocessos
aniversário.
Dia de inevitáveis retrocessos
Dia de inevitáveis retrocessos
Dia de inevitáveis retrocessos
dia de inevitáveis retrocessos
Dia de inevitáveis retrocessos
Dia de inevitáveis retrocessos
Dia de inevitáveis retrocessos
aniversário.
20.5.10
antes de 18.
Leve, como cabe ser. Verde, fresca, peito feito fruta, cabeça torta, olho no teto. Ar estendido no espírito e o tempo desagua com o gosto salgado de lágrima sóbrea, teimosa, retida.Só aflição tola, saudade tola, amor enorme, amor caído, comido, digerido.
Tudo dito do nada para o Nada, o fundo colorido de verdades milagrosas.
Respiração e dança são os únicos acertos até então, sendo que não dá pra tocar, nem ver, nem consertar. Não sabe o que é... Nasceu ontem e nasceu hoje,
amanhã é depois.
Tudo dito do nada para o Nada, o fundo colorido de verdades milagrosas.
Respiração e dança são os únicos acertos até então, sendo que não dá pra tocar, nem ver, nem consertar. Não sabe o que é... Nasceu ontem e nasceu hoje,
amanhã é depois.
14.5.10
duro.
Requiem para uma flor °
Fruto do mundo
Somos os homens
Pequenos girassois
Dos que mostram a cara
E enorme as montanhas
Que não dizem nada
Incapaces los hombres
Que hablam de todo
Y sufrem callados
r. seixas
19.4.10
15.4.10
Erança II
Vou esperar chegar pra crê,
aí te falo!
O quê???
Se adaptando à falta do que é essência?
-Não faça isso, não espere!
(sussurrando, porque é segredinho).
Isso mesmo, sobreviva,
ou seja,viva!
Aí você aguenta essas fortes ondas.
Sorte daí em frente!
Beijo-benção, meu querido! Saudades recíprocas.
aí te falo!
O quê???
Se adaptando à falta do que é essência?
-Não faça isso, não espere!
(sussurrando, porque é segredinho).
Isso mesmo, sobreviva,
ou seja,viva!
Aí você aguenta essas fortes ondas.
Sorte daí em frente!
Beijo-benção, meu querido! Saudades recíprocas.
Erança
"... ao meu jeito eu vou fazer,
um samba sobre o infinito..."
um samba, minha querida. O samba.
Pra que existir seja um tiquim mais fácil...
um samba sobre o infinito..."
um samba, minha querida. O samba.
Pra que existir seja um tiquim mais fácil...
8.4.10
Coberta
O silêncio
é o meu ato
mais certo.
Porque antes
de ser pensando
de ser feito,
eu o sinto.
O meu olhar silencioso
é o meu olhar mais erguido.
O que diz a palavra
certeira, prolongada, infinita.
Ele se estende na vontade.
Incomoda e
por vezes é amistosamente
bem recebido.
E como grande onda,
só se espraia no mar.
Na praia habitada
é marola tímida,
pássaro cantando
apenas
a outros pássaros.
Os meus sonhos
pouco ruídosos
nascem cantores,
atores,
bailarinos.
Viram fatos surreais,
sem nunca escutarem
que foram sequer,
sonhados.
Silêncio
é
outro sentimento.
é o meu ato
mais certo.
Porque antes
de ser pensando
de ser feito,
eu o sinto.
O meu olhar silencioso
é o meu olhar mais erguido.
O que diz a palavra
certeira, prolongada, infinita.
Ele se estende na vontade.
Incomoda e
por vezes é amistosamente
bem recebido.
E como grande onda,
só se espraia no mar.
Na praia habitada
é marola tímida,
pássaro cantando
apenas
a outros pássaros.
Os meus sonhos
pouco ruídosos
nascem cantores,
atores,
bailarinos.
Viram fatos surreais,
sem nunca escutarem
que foram sequer,
sonhados.
Silêncio
é
outro sentimento.
Cá
ao meu... cabe hospedar (dentro)
ao meu... cabe desbravar (lá fora)
ao mundo inteiro cabe (esse instante, essa hora).
ao meu... cabe desbravar (lá fora)
ao mundo inteiro cabe (esse instante, essa hora).
6.4.10
essa todo mundo sabe:
O que é, o que é...
demora pra chegar, mas chega
e a gente só sabe que chegou quando vai embora?
O que é, o que é?
demora pra chegar, mas chega
e a gente só sabe que chegou quando vai embora?
O que é, o que é?
18.3.10
A chuva decidindo entre ser rala ou forte,
as poças d'água há muito tempo enxutas
crescem, dançam, compõem
junto com os pingos indecisos.
E eu nua, também danço metida.
A pele arrepiada, resoluta.
O coração quentinho, tranquilo
e para dizer que também compus,
como se não bastasse. Deixo
os lábios arrefecidos
contrariando o peito.
Tremem, cantam
igualmente bambos
exibindo frio e sorrisos.
as poças d'água há muito tempo enxutas
crescem, dançam, compõem
junto com os pingos indecisos.
E eu nua, também danço metida.
A pele arrepiada, resoluta.
O coração quentinho, tranquilo
e para dizer que também compus,
como se não bastasse. Deixo
os lábios arrefecidos
contrariando o peito.
Tremem, cantam
igualmente bambos
exibindo frio e sorrisos.
11.3.10
Danielaurélia
Saudade (a - u)
s. f.
Poeta (é)
adj.
s. f.
- O mesmo que infinito.
- fig. O inevitável.
- Lembrança doída ou saborosa de alguém, lugar, essência ou qualquer coisa ausente.
- Por vezes, sentimento de ausência mesmo quando presente.
Poeta (é)
adj.
- Aquele que sente e cria saudade.
- (...)
Vinicius que me perdoe...
Escureço,
tardo,
anoiteço,
ardo.
A oeste
contra quem
cativo:
é meu norte.
Contem:
passo por passo,
eu, ontem.
Nasço,
ando:
-Meu tempo além de ser quando,
é tanto.
tardo,
anoiteço,
ardo.
A oeste
contra quem
cativo:
é meu norte.
Contem:
passo por passo,
eu, ontem.
Nasço,
ando:
-Meu tempo além de ser quando,
é tanto.
Ontem
Por aqui, tudo anda meio morno.
E quando parece acontecer um incêndio,
e restar cinzas,
cai uma neblina sensata, doce e nobre.
Então perpetua o morno,
o suficiente pra não deixar
ninguém bater com os dentes de frio.
De frio, nem o tempo...
Está meio calmo,
assim, de se vê.
Porque por dentro
há um caos de fogo e tempestade.
E desse turbilhão intrínseco,
de particularidades,
o que compartilhamos é
menos transparente
e mais exigente.
Já que a comunicação
é um pouco escassa.
Uma partilha com ar de segredo
e paixão.
O amor, cachorro-abandonado,
procura um outro
abrigo.
E quando parece acontecer um incêndio,
e restar cinzas,
cai uma neblina sensata, doce e nobre.
Então perpetua o morno,
o suficiente pra não deixar
ninguém bater com os dentes de frio.
De frio, nem o tempo...
Está meio calmo,
assim, de se vê.
Porque por dentro
há um caos de fogo e tempestade.
E desse turbilhão intrínseco,
de particularidades,
o que compartilhamos é
menos transparente
e mais exigente.
Já que a comunicação
é um pouco escassa.
Uma partilha com ar de segredo
e paixão.
O amor, cachorro-abandonado,
procura um outro
abrigo.
10.3.10
9.3.10
18.2.10
covardia romântica
Se eu te mandasse uma carta hoje, seria só pra dizer que eu te amo. O mesmo aconteceria se eu te telefonasse, mas antes eu perguntaria onde Francisco mora, qual o dia do aniversário de Maria, contaria que eu havia encontrado Lucas cantando na praça e, enquanto minha coragem fosse criada no meio de tanta conversa fiada, então eu diria: -É isso, saudades de você. Fica bem... E num tom mais baixo e apressado sairia o eu te amo. E antes que você pudesse agradecer ou responder de volta, essa ligação seria desligada, porque eu só teria coragem pra dizer. Escutar ou não escutar seria outra coragem criada.
Ai, queria saber te falar de amor.
Ai, queria saber te falar de amor.
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