19.4.10

por que você não esperava
mas eu te esperei
e a gente se desesperou


(Karina Buhr)

15.4.10

Aos mares de Ayume

Tanto mar,
o azul,
o verde,
o rosa,
tantos.

[e meu
barco
saudoso
a
navegar]

Erança II

Vou esperar chegar pra crê,
aí te falo!
O quê???
Se adaptando à falta do que é essência?



-Não faça isso, não espere!

(sussurrando, porque é segredinho).


Isso mesmo, sobreviva,
ou seja,viva!
Aí você aguenta essas fortes ondas.
Sorte daí em frente!


Beijo-benção, meu querido! Saudades recíprocas.


Erança

"... ao meu jeito eu vou fazer,
um samba sobre o infinito..."

um samba, minha querida. O samba.
Pra que existir seja um tiquim mais fácil...

8.4.10

A oposição de Mercúrio com Marte:

pouco tolerante
com as idiossincrasias
alheias.

Coberta

O silêncio
é o meu ato
mais certo.
Porque antes
de ser pensando
de ser feito,
eu o sinto.
O meu olhar silencioso
é o meu olhar mais erguido.
O que diz a palavra
certeira, prolongada, infinita.
Ele se estende na vontade.
Incomoda e
por vezes é amistosamente
bem recebido.
E como grande onda,
só se espraia no mar.
Na praia habitada
é marola tímida,
pássaro cantando
apenas
a outros pássaros.
Os meus sonhos
pouco ruídosos
nascem cantores,
atores,
bailarinos.
Viram fatos surreais,
sem nunca escutarem
que foram sequer,
sonhados.

Silêncio
é
outro sentimento.





Sobre o bom conselho

-À direita segue
o caminho fechado,
somente!

E os outros,
mentem.

ao meu... cabe hospedar (dentro)
ao meu... cabe desbravar (lá fora)
ao mundo inteiro cabe (esse instante, essa hora).

.


Agora atrapalhe

o fluxo,
a procissão,
o pulsar
do seu sangue.

... e esqueça o meu.




6.4.10

essa todo mundo sabe:

O que é, o que é...
demora pra chegar, mas chega
e a gente só sabe que chegou quando vai embora?

O que é, o que é?

22.3.10

Não sou eu quem me navega.

18.3.10

A chuva decidindo entre ser rala ou forte,
as poças d'água há muito tempo enxutas
crescem, dançam, compõem
junto com os pingos indecisos.
E eu nua, também danço metida.
A pele arrepiada, resoluta.
O coração quentinho, tranquilo
e para dizer que também compus,
como se não bastasse. Deixo
os lábios arrefecidos
contrariando o peito.
Tremem, cantam
igualmente bambos
exibindo frio e sorrisos.

17.3.10

...esse meu desterro.

13.3.10

Isso de querer
ser exatamente
aquilo que a
gente é
ainda
vai nos levar
além


Paulo Leminski


11.3.10

Danielaurélia

Saudade (a - u)
s. f.
  1. O mesmo que infinito.
  2. fig. O inevitável.
  3. Lembrança doída ou saborosa de alguém, lugar, essência ou qualquer coisa ausente.
  4. Por vezes, sentimento de ausência mesmo quando presente.

Poeta (é)
adj.
  1. Aquele que sente e cria saudade.
  2. (...)

Vinicius que me perdoe...

Escureço,
tardo,
anoiteço,
ardo.

A oeste
contra quem
cativo:
é meu norte.

Contem:
passo por passo,
eu, ontem.

Nasço,
ando:
-Meu tempo além de ser quando,
é tanto.

Ontem

Por aqui, tudo anda meio morno.
E quando parece acontecer um incêndio,
e restar cinzas,
cai uma neblina sensata, doce e nobre.
Então perpetua o morno,
o suficiente pra não deixar
ninguém bater com os dentes de frio.
De frio, nem o tempo...

Está meio calmo,
assim, de se vê.
Porque por dentro
há um caos de fogo e tempestade.
E desse turbilhão intrínseco,
de particularidades,
o que compartilhamos é
menos transparente
e mais exigente.
Já que a comunicação
é um pouco escassa.
Uma partilha com ar de segredo
e paixão.

O amor, cachorro-abandonado,
procura um outro
abrigo.



9.3.10

Dedicação

Por fazer,
por entrelaçar...
E por aí,
invento sentidos.

18.2.10

covardia romântica

Se eu te mandasse uma carta hoje, seria só pra dizer que eu te amo. O mesmo aconteceria se eu te telefonasse, mas antes eu perguntaria onde Francisco mora, qual o dia do aniversário de Maria, contaria que eu havia encontrado Lucas cantando na praça e, enquanto minha coragem fosse criada no meio de tanta conversa fiada, então eu diria: -É isso, saudades de você. Fica bem... E num tom mais baixo e apressado sairia o eu te amo. E antes que você pudesse agradecer ou responder de volta, essa ligação seria desligada, porque eu só teria coragem pra dizer. Escutar ou não escutar seria outra coragem criada.

Ai, queria saber te falar de amor.

"não vai dar mais pra chorar,
nem pra rir..."

morri.

12.2.10

Sol em Quadratura com Plutão natal.

11.2.10

Parâmetro

Deus é mais belo que eu.
E não é jovem.
Isto sim, é consolo.

(Adélia Prado)

"a tristeza é senhora..."


Poesia era
deixá-lo marcar meus passos,
torná-los compassos,
cadência...
De fazer sambar outras pernas,
cirandar meu canto.

Roubaram,
roubaram meu samba
porque a rua é escura
e o tempo...
Ah!
os tempos são outros.

(foto: Rayza Lélis)

10.2.10

anda logo!

aí?
como vai?
não me pergunte como vou, porque eu vim. Eu não vou.
E como estou passando?
Passando? Eu não passo, eu voo.
Voo de voar.
Você voa?
Voa?!
Então voa pra cá.
É que a franqueza me ataca!

6.2.10

O que dizem os astrólogos

(Como Raul Seixas já dizia.)

Resumo:

Este período trará alguns problemas para a vida sentimental. Ao mesmo tempo que há um amor intenso a ser desfrutado, algumas arestas precisarão ser aparadas, e é aí que os problemas começam. Você não poderá, por assim dizer, deixá-los para lá ou varrê-los para baixo do tapete. Nada de insegurança ou excesso de controle. Isso só deixa o outro irritado e sem espaço para respirar.

O mundo é mutável, apesar de não nos darmos conta disso, e as pessoas também o são. Por isso, é imprescindível que reconheça que o relacionamento também sofre essas alterações - e, portanto, você também deve mudar. Por que não? E nada de resolver usar de chantagens, isso é feio! Elas apenas demonstram que você é infantil. Quem disse que não estamos suspensos no ar?

-É... mais ou menos isso, tia!

3.2.10

prévio Carnaval

Dançaria valsas circences sorrindo para todos
os transeuntes da segunda-feira.
...Só pela nescessidade das pequenas coisas
e talvez,
só por querer sorrir,
ou rodar.

rodar,
rodei,
brincamos.


2.2.10

Composição

...tenho a legenda, mas não tenho a fotografia.

1.2.10

ir, vou, vim, ficar...

(para Rayza e nossa crônica saudade)

-Você fica, eu vou...

e quem morre de amores e saudades depois sou eu.
Porque você fica, eu vou.

-Eu preciso aprender isso de ir...

mas uma hora eu vou e saudades serão findas,
mesmo sendo infinitas.


30.1.10

Fustigada.

27.1.10

Coração Buarquiano

Eu quero contar a história de um menino-velho
que resolve dar amor à uma menina-moça
e ao conviver com ele,
ela começa achar que é errado querer correr.
Mas aí, ela conhece um homem-rapaz
que disse gostar de viver.
E ao ouvir tal ousadia
ela começa a enxergar todos os olhos,
o amor do menino-velho começa daí
ficar como casa num campo distante,
de um mundo também distante...
A menina-moça começa querer partir,
e a ficar bonita
e aflita para abandoná-lo.
O menino-velho, nessa história,
vai ficar surpreso
e um pouco triste.
O menino velho perde o tempo achando
que a menina-moça
era uma menina-velha-criança,
mas nunca moça.
É nessa hora que ele
vai perceber que
a menina-moça era uma visita,
que ele amava como seu velho coração.
A menina-moça vai anunciar sua fuga
e o menino-velho enfim, diz sobre a vida pra ela.
Ele dirá:
Vai,
que a vida não passa de um dia!
Corre,
que a vida não espera!

A menina-moça afrouxa um sorriso alegre
e vai,
correndo comemorar
todas as virgindades perdidas.
E o menino-velho vai vê-la correr
e dirá, pra si querendo que fosse para a menina-moça:
Anda,
Pois eu só teria
A minha agonia
Pra te oferecer.


E a história eu queria que fosse contada só até aí...



(feita para brincar de interpretar as músicas de Chico, a meu modo, claro!)

25.1.10

Meu sanque errou de veia e se perdeu...

21.1.10

Homens

-Porra! Como tá difícil chupar essa laranja!
-Geo, difícil é essa laranja te chupar.

(muitas risadas)

-Tem uma frase de Machado de Assis que ele diz assim: "O homem é metafisicamente uma laranja." - O cara é doido, Caio!
-Ah, Geo! Então eu sou um homem-abóbora: as mulheres só me chupam quando eu fico doce...


(infinitas gargalhadas)

Métodos particulares para chorar menos.

E por um tempo eu vou ficar com o pouco, aos poucos.
Até que tudo caiba no meu ser,
até que me inventem melhor,
até eu me afastar do ponto
e ir além da metade.
Até eu me decidir entre
o casamento e o carnaval.

E que até lá,
roubem menos meu silêncio,
mordam menos minha carne,
infartem menos meu coração,
poupem-me do iê-iê-iê.
Pro meu tempo
ter tempo
de ser meu.

Até...
o desespero não mais me escutar.


"Então eu te disse que o que doíam essas esperas, esses chamados que não vinham e quando vinham sempre e nunca traziam nem a palavra e às vezes nem a pessoa exata. E que eu me recriminava por estar sempre esperando que nada fosse como eu esperava, ainda que soubesse."
(Caio F.)

17.1.10

E o que não sei mais.



-Acabou.
-Acabou o quê?!
-Quero dizer, diminuiu.
-Diminuiu o quê?!
-O amor.
-E o que sentiu?
-Eu senti.
-Sentiu?
-É, eu senti; antes, não sentia.
-O amor de dentro ou o amor de fora?
-O amor de fora.
-E...
-Senti um pouco de vergonha; um peso de cinco balãozinhos, mas ainda ainda um peso; vi a fraqueza; senti o coração dançando valsa com passos curtos, lentinho.
-Mas então, o amor aumentou!
-Não, diminuiu.
-Como? Quando nasce, não se sentes assim?
-Também. Mas dessa vez, morreu. Quero dizer, diminuiu...
-E sentes mais o que?
-Eu sinto tudo que antes não sentia. Eu agora, enxergo.
-O amor era cego?!
-O amor é cego.
-E o amor de dentro?
-Era cego.
cheia de falsos problemas.

23.11.09

Quero falar de Maria... de Marias
e me aproximar da juventude que ela tem.